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Eu ainda deito com ela até dormir. Por que não parei?

Foto do escritor: Priscila Tavares
Priscila Tavares
21 de set.
4 min de leitura

Há dois grupos especialmente barulhentos quando o assunto é sono infantil.


O primeiro condena a cama compartilhada. O segundo trata a chamada autonomia do sono quase como uma prova de competência dos pais: se a criança ainda precisa de ajuda para dormir, alguma coisa foi feita errada.


Eu não faço cama compartilhada. Meu motivo, aliás, está longe de ser nobre. Simplesmente não consigo dormir sabendo que PenPen pode cair da minha cama (que é alta demais) ou passar a noite girando, me chutando e ocupando o colchão inteiro em posição de estrela-do-mar.



Mas também nunca consegui enxergar como um grande problema o fato de ela precisar de mim para adormecer. É importante fazer essa distinção: PenPen dorme na própria cama, no próprio quarto. Eu apenas me deito ao lado dela até que durma.


E podem criticar.


Antes de ela nascer, li descontroladamente sobre bebês. Li bons livros, artigos escritos por profissionais, relatos de outras mães e uma quantidade considerável de bobagens apresentadas com absoluta convicção. Em determinado momento, fiquei tão saturada que decidi criar PenPen como um bebê dos anos 1990.


Ledo engano!


Assim que ela nasceu, meu cérebro de mãe millennial (geriatric millennial, por favor) assumiu o comando. Passei a controlar horários, sonecas e rituais como se minha vida dependesse disso. Talvez dependesse um pouco.


Desde o início, segui uma rotina bastante previsível. Aos três meses, PenPen foi para o quarto dela. Era o que funcionava: eu queria meu quarto de volta e também queria que aquele quartinho lindo, que havíamos preparado com tanto cuidado, fosse realmente usado. Além disso, dormir com uma bebê no quarto muda completamente a rotina: conversar depois que ela dorme, só sussurrando. Televisão, nem pensar. Ler um livro, apenas no Kindle, com o brilho praticamente invisível. Não dava mais.


PenPen sempre dormiu muito bem à noite. A linda acordou de madrugada umas três vezes na vida inteira. O puerpério me cobrou caro em vários aspectos, mas, felizmente, não na privação de sono. Em compensação, ela não adormecia sozinha.


Todas as sonecas começavam no colo. E eu nunca vi problema algum nisso. Era gostoso ficar agarrada a ela até que dormisse. E eu aproveitava para ler ou ouvir um podcast.


Aí eu comecei a ver pessoas falando (não para mim, mas no geral): “Bebê se acostuma",

“Depois a mãe não consegue mais tirar", “Criança precisa aprender a dormir sozinha”, “E a autonomia do sono?”.


Meu irmão em Cristo, são bebês. É impressionante como, segundo a internet, um bebê está sempre a um colo de distância da ruína completa. Se você ninar hoje, aparentemente terá de ninar um adulto de trinta e cinco anos amanhã.


Eu sei que existem associações de sono. O que nunca me convenceu foi a ideia de que toda associação precisa ser tratada como um problema, mesmo quando está funcionando. PenPen dormia bem. Eu não me incomodava em niná-la. Então por que eu deveria sofrer antecipadamente tentando corrigir uma situação que, para mim, não precisava de correção?


Ela foi progredindo. Foi de quatro para três sonecas e, então, para duas sonecas por dia. E ela continuava adormecendo no colo (no meu ou no de qualquer pessoa disponível, porque nunca foi muito exigente nesse aspecto).


Quando precisei baixar completamente o berço, porém, minha coluna começou a apresentar objeções. Colocar uma criança já adormecida lá embaixo era uma manobra arriscada demais.


Quando PenPen completou um ano, tive a ideia de antecipar a cama montessoriana. Retirei os pés, coloquei um tapete lindo e mandei fazer um cercado. Assim, em vez de carregá-la até dormir, eu poderia me deitar ao lado dela.


E ficou muito mais fácil.


Nem todas as noites, evidentemente, eram tranquilas. Às vezes, ela levava vinte minutos para dormir. Em outras, eu passava uma hora e meia no quarto. Dizer que nunca foi cansativo seria uma romantização muito desonesta.


Mas eu gostava daquele momento. PenPen me escalava e acabava dormindo em cima de mim. Enquanto isso, eu rezava, ouvia alguma coisa, cochilava ou simplesmente ficava quieta. Eu não considerava aquele tempo perdido.


Aos poucos, sem nenhum grande plano de treinamento, ela começou a mudar.


Primeiro, parou de dormir em cima de mim. Depois, começou a me empurrar para o lado. Passou a levar menos tempo para adormecer e, quando já compreendia melhor a rotina, começou a ir sozinha para a cama, pegar um livro e me esperar.


Antes, exigia tapinhas até dormir. Agora, depois de poucos minutos, ela mesma retira a minha mão. Há noites em que vira para o lado e adormece rapidamente. Em outras, ainda preciso ficar ali por meia hora. Aquela uma hora e meia praticamente desapareceu.


Isso prova que todas as crianças mudarão sozinhas, exatamente como PenPen? Claro que não. Uma criança não é uma pesquisa científica, e uma experiência pessoal não serve como regra universal.


Há famílias exaustas, mães no limite, crianças com dificuldades reais de sono e rotinas que simplesmente deixaram de funcionar. Nesses casos, é perfeitamente legítimo procurar ajuda e fazer mudanças.


O que a minha experiência mostra é algo bem mais simples: a previsão de que PenPen ficaria eternamente dependente de mim porque dormia no colo não se confirmou. Ela cresceu. A rotina mudou. A necessidade diminuiu. Sem pressa e sem que eu precisasse transformar a hora de dormir em uma batalha.


O que me incomoda nessa conversa sobre autonomia não é o desejo de ensinar uma criança a dormir sozinha. É a transformação disso em uma obrigação e, pior, em um julgamento. Se a mãe nina, está criando dependência. Se permanece no quarto, está atrasando a criança. Se oferece colo, está mimando. Se o bebê chora quando ela sai, está manipulando.


Talvez a pergunta não devesse ser “como faço meu filho parar de precisar de mim?”, mas “essa rotina ainda funciona para mim?”. Se não funciona, muda. Se funciona, por que criar uma urgência que não existe?


Acho que boa parte da angústia materna vem do medo de estar formando uma criança dependente. A outra parte vem da sensação de estar desperdiçando tempo enquanto faz o filho dormir.


No início, eu mesma já pensei em tudo o que poderia estar fazendo durante aquelas horas ou minutos. Mas, sinceramente, o que de tão melhor eu estaria fazendo? PenPen não precisará de mim dessa maneira para sempre. Na verdade, já precisa muito menos.


Não vejo motivo para apressar o restante.

 
 
 

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